quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vida afetiva

Como parte integrante de nossa subjetividade, a afetividade é algo de suma importância e imprescidível para a vida de todo ser humano. Como não é prerrogativa de alguns, mas de todos, ela é responsável pela expressão que possuímos de desejos, sonhos, fantasias, expectativas, através de palavras, gestos, e até mesmo do pensamento, ou seja, é o referencial de todo comportamento humano.
Dotado de uma racionalidade invejável, o ser humano possui sentimentos objetivos e subjetivos, os quais devem ser expressados no seu dia-a-dia, sobretudo os subjetivos, para que, o mesmo, possa reconhecer o verdadeiro sentido de sua existência como pessoa. E ser pessoa, é reconhecer-se não como um ser limitado, mas um ser que transcende.
O homem não é uma mera estrutura óssea, coberto de músculos e carne, mas um ser complexo, sentimental, que tem emoções, desejos, amor, ódio,enfim, prazeres e desprazeres.
Resposável pelo sentido de nossas vidas, a afetividade nos apresenta, ora em forma de sentimentos, ora em forma de emoções, os quais diferem entre si no que diz respeito ao grau de intensidade: enquanto a emoção refere-se ao estado agudo e transitório, o sentimento é mais suave e duradouro.
Formado a partir de um complexo pisíquico inteligível, a afetividade tem como modelos o prazer e a dor, que vão permitir nossa expressão afetiva em várias tonalidades intensivas.
Criteriosos, os afetos participam ativamente de nossas ações de forma positiva ou negativa, permitindo-nos perceber e vivenciar nossas reações ao meio, possibilitando-nos , de forma consciente, expressarmos para o outro o que sentimos, ás vezes, de forma enigmática, inexplicáveis.
Como já fora dito, a emoção é a reação afetiva intensa e transitória. É a partir dela que podemos observar a relação entre o afeto e a organização corporal,como: distúrbios gastrointestinais, cardiorespiratório, sudorese, tremor. É a partir da vivência desse metabolismo que sentimos: tremor, risos, choro, expressões faciais etc , os quais, muitas vezes, são estimulados ou reprimidos por força dos hábitos culturais negativos, aos quais somos submetidos.
Ligadas ao amor e ao ódio, e também à nossa sexualidade, as emoções são uma espécie de linguagem na qual expressamos percepções internas em resposta a fatores externos; já  os sentimentos, que tem como elementos básicos o amor e o ódio, se manifestam a partir de emoções, ´so que num grau mais intensivo e duradouro e, além do mais, não vem acompanhados de reações orgânicas intensivas.
Em suma, não importa para nós se há diferença entre sentimento e emoção; se essasdiferenças podem nos fazer externar amor,ódio,dor, prazer ou desprazer. O que importa mesmo é nos sentirmos pessoas e usufruirmos desse privilégio: nossa afetividade.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Combater o egoísmo

O egoísta é um eterno insatisfeito e vive intranquilo: insatisfeito por não ter tudo quanto deseja, e intranquilo por causa do receio de perder  o que já conquistou. O egoísta que sobe materialmente na vida assemelha-se a um homem  que ganha as alturas, mas está aprisionado na cabine de um avião.
O egoísta tece uma teia de ambições para depois tornar-se prisioneiro dela. Cada gesto egoísta será um elo da corrente que depois o prenderá.
Não ser ilha cercada de egoísmo por todos  os lados.  O egoísmo leva à solidão e ao isolamento, que são causas de insatisfação e de descontentamento.
Romper o círculo do egoísmo promovendo uma convivência fraterna e amiga, participando de tudo e compartilhando tudo com todos. Amar a todos, servir com alegria e dedicar-se desprendidamente ao próximo é salutar remédio para curar a doennça do egoísmo que nada mais é senão uma insaciável busca de si mesmo.
O egoísta volta as costas à felicidade; caminha sempre em direção oposta, e por isto jamais se encontrará com ela.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Processo evolutivo do homem

A evolução humana é marcada pelo relacionamento do homem com o mundo sensível. Percebendo sua capacidade de relacionar-se com os símbolos e com seus semelhantes, e também ávidos de uma forma de sobrevivência mais pragmatizada, ele usa de habilidades cognitivas e produz culturas a partir de seu desenvolvimento compleitivo, tornando-se não somente cultural, mas culturável.
Naturalmente, que esse processo cultural não se dá da noite para o dia. É um processo gradativo e que se constitui como tal, a partir da interrelação entre povos de evolução e hábitos culturais diversos. Porém, faz-se necessário lembrar um fato inefável que aconteceu no processo evolutivo do homem sapiens, quando, em um dado momento há, num dos ramos dos primatas, uma alteração súbita em seus organismos, tornando-os capazes de exprimir-se, aprender, ensinar e fazer generalizações (o  chamado processo de cerebralização), no qual o cérebro humano passa a desenvolver-se acentuadamente e de modo espantoso.
Tal fenômeno permite o desenvolvimento configurativo da existência humana, sobretudo no que diz respeito à conservação das tendências de crescimento do cérebro infantil, ampliando e acentuando, assim, sua capacidade de aprendizagem, a partir de mutações noéticas, o que permitiu flexibilidade na forma de adaptação do homem a setores de congregação de pessoas de interesse comum.
Evoluído e capaz de sociabilizar-se, o homem, no percurso de sua vida, pode sofrer um processo de socialização, desvio e ressocialização. Ou seja, socializado a partir de certos princípios e hábitos culturais, o homem pode desviar-se e submeter-se a outro modelo normativo, como também pode ressocializar-se desde que seja submetido a normas disciplinares, isto é, reeducar-se.
Também é considerado ressocialização o ingresso do homem a outras instituições cujos padrões morais e de conduta sejam absorvidos por ele no processo da nova convivência.
Há, ainda, uma terceira forma de ressocialização entendida como a passagem de uma sociedade para outra de hábitos e costumes diferentes, mesmo que esta passagem seja transitória e com finalidades diversas como estudos, pesquisas etc...
Ainda no processo evolutivo humano vemos o acentuado efeito do bipedismo que é apresentado no homem como um gatilho que guinou a inserção do mesmo no mundo das evoluções. Segundo Boris Cyrulnik, a liberaçao das mãos por si só não é decisiva para confirmar a evolução humana, visto que outros animais bípedis não são capazea de costruir objetos com a finalidade de serem usados na preparação de outro instrumento de utilidade. Há também, por trás de tudo isso, todo um progresso cognitivo evolutivo e que é perrogativa somente do ser humano.
Assim, quando o homem inventa qualquer tipo de arma de longo alcance como a flecha, automaticamente ele é instigado a desenvolver mais sua capacidade visual e assim sucessivamente.
Portanto, a evolução recente do homem é, por assim dizer,  marcada não só pelo avançado desenvolvimento das mãos, mas também pelo processo  de cerebralização. Outro avanço significante diz respeito à capacidade de desenvolvimento linguístico, o qual está atrelado ao anterior e que, embora ainda bastante precário por causa de Homo Sapiens Neandher Talensis possuí uma abobada palatina achatada e sem osso hieoide implantado sob o maxilar, o que reduzia a caixa sonora de sua cavidade bucal, eles já falavam, não como nós hoje, mas falavam.
Esse aspecto é de suma importância para o processo evolutivo da comunicação, o que nos leva a concluir que, graças a articulação do uso da boca e das mãos atrelados à capacidade cognitiva, foi possível ao homem, o fabrico de seus utensílios.