Dialogo da Alma
quarta-feira, 21 de maio de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
IRONIA
OU PROVOCAÇÃO FILOSÓFICA?
Esta
situação pode ser analisada a partir de dois pontos de vista: do ponto de vista
pedagógico e do ponto de vista filosófico.
Do
ponto de vista pedagógico, penso que houve dois equívocos no processo
avaliativo.
O
primeiro refere-se à escolha do instrumento de avaliação utilizado pelo
professor para aferir a aprendizagem dos estudantes. Trata-se de um instrumento
avaliativo fechado, de caráter seletivo, excludente e classificatório por ter
como objetivo julgar e, consequentemente, aprovar ou reprovar o estudante.
Por
se tratar de um instrumento característico da cultura do exame é também
pontual, porque leva o educando a saber responder as questões, aqui e agora,
quando da realização das provas e dos testes, sem se importar se o estudante
sabia e se confundiu e se poderá vir a saber, depois. Essa prática exige que o
educando saiba responder, pontualmente, aqui e agora, o que está sendo
questionado, sob pena de não servir para nada.
É
também estático porque tende a classificar o estudante num determinado nível de
aprendizagem, como se este nível fosse definitivo. Daí o uso de notas por
números, visando classificar o educando numa posição definida dentro de uma
escala.
Como
não há nenhuma pretensão de incluir, mas de excluir, é também antidemocrático.
Ou seja, dá fundamento a uma prática pedagógica autoritária. Isto é, com essa
prática, o sistema de ensino e o educador tem em mãos um instrumento de poder,
cuja autoridade é transformada em autoritarismo.
Portanto,
a utilização desse tipo de instrumento torna-se inadequado para a avaliação do
processo ensino-aprendizagem por não favorecer o diagnóstico e, muito menos, de
possibilitar a sinalização dos impasses que ocorrem no processo de
aprendizagem, os quais podem ser de ordem psicossocial ou de ordem patológica –
quando se referir aos educandos: ou de ordem metodológica - quando se referir,
ou melhor, quando sinalizar a necessidade de reformulação na metodologia do
professor.
A
avaliação, ao contrário, é diagnóstica, isto é, tem por objetivo diagnosticar a
situação de aprendizagem do estudante, visando perceber o momento certo da
tomada de decisão que possibilite o desenvolvimento qualitativo do desempenho
do educando. Diagnóstico este que deve ser processual, ou seja, a avaliação
opera com resultados provisórios, o que favorece ao educando a apresentação de
resultados cada vez melhores e mais satisfatórios em sua aprendizagem.
A
avaliação é dinâmica porque não classifica o educando em um determinado nível
de aprendizagem, mas diagnostica a situação para melhorá-la, a partir de novas
decisões pedagógicas. Sendo assim, a facilidade para a efetivação do processo
de inclusão, acontece, de fato, mediante a subdiação da busca de fórmulas que
visem o aprendizado de tudo que favoreça o desenvolvimento da espécie, sem
fazer a seleção dos “melhores” e a exclusão dos “piores”.
Esse
aspecto caracteriza a avaliação como um ato democrático por está a serviço de
todos e por desenvolver atividades pedagógicas em conjunto, sem fazer distinção
entre aqueles que tem mais dificuldades, daqueles que aprendem com mais
facilidade. Por esta razão, o ato avaliativo é uma prática pedagógica
dialógica, cujo diálogo deve ser um ato constante entre educadores e educandos,
visando o estabelecimento da efetiva aliança no desenvolvimento do trabalho que
contemple a construção do conhecimento democrático pelos sujeitos da prática
educativa.
O
segundo equívoco refere-se à incompatibilidade no uso desse tipo de instrumento
na avaliação da aprendizagem em áreas do conhecimento que requer do estudante
maior esforço no expressar de ideias que tenham como base o raciocino lógico,
como é o caso da filosofia que é uma disciplina pensante e que provoca o pensar
do, até então, impensado.
Assim,
torna-se aconselhável a utilização de um instrumento avaliativo aberto que
permita o expressar da unicidade de cada estudante. Isto é, o expressar das
idéias e análise crítica de cada ser pensante, especificamente.
Do
ponto de vista filosófico penso que a atitude do professor pode ter partido de
duas pretensões, a saber: a da ironia e a da provocação filosófica.
Da
parte da ironia, fica claro esse tipo de pretensão quando, na introdução da
questão, o professor atribui à cantora a qualidade de “pensadora contemporânea”
o que se caracteriza como ironia porque o professor afirma ser o que a cantora
não é. Sendo assim, considero ter sido infeliz na sua colocação porque a
filosofia não faz nenhum tipo de apologia à ironia, tão pouco forma
profissionais irosos. O papel do filósofo é, por assim dizer, de provocar a
parição de idéias e de alisá-las por meio da investigação radical, rigorosa e
global.
Da
parte da provocação o professor pode ter pretendido estabelecer um momento de
reflexão filosófica sobre a idéia de que a frase expressa pela cantora
obtivesse um teor puramente filosófico – o que não pode ser contestável- só que
de uma filosofia qualquer, fruto do achismo subjetivo. Contudo, parece-me que a problemática fica por conta da
elaboração da questão que poderia, como sugestão, ser da seguinte forma: Com
base no que estudamos sobre lógica, analisem o trecho abaixo, extraído da
música (......) da cantora (...) e escrevam um pequeno texto expressando suas
idéias sobre o mesmo.
Esse
tipo de avaliação, mais conhecida como avaliação aberta, iria permitir que
educando expressasse a sua unicidade, além, é claro, de possibilitar ao
professor a avaliação objetiva da lógica presente ou a falta dela no texto apresentado pelos educandos. É
importante lembrar que a parametrização da questão – que é imprescindível em
qualquer prática avaliativa- fica por conta do estudo feito anteriormente sobre
lógica e do direcionamento da lógica que, neste caso, poderia ser sobre uma
possível crise cultural contemporâneo da MPB.
De
qualquer forma, o fato é que, ao elaborar a questão, o professor, além de ter
se equivocado pedagogicamente (por ter elaborado uma questão imprópria para a
avaliação da aprendizagem, conforme mencionei anteriormente), tornou-se infeliz
pelo teor irônico da questão (se este for o caso). Com a palavra, você, caro
leitor.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
terça-feira, 27 de agosto de 2013
O que é consciência?
Para
saber o que é consciência é preciso saber, antes de mais nada, o que é ciência. Ciência é todo conhecimento
sistemático e que permite ser questionado. Assim, quando estamos cientes de
alguma coisa, ou seja, quando sabemos sobre alguma coisa e questionamos sobre
esta coisa, dizemos que estamos cientes desta coisa.
Exemplo:
José está ciente do que é amar, porque ouviu falar e discutiu sobre o que é o
amor. Isto é, José está ciente do que é o amor e o que deve fazer para
amar. Logo, ele está consciente do que é
o amor, porque ele sabe e sabe que sabe. Diante disso, podemos afirmar que uma
pessoa consciente é, por assim dizer, uma pessoa que sabe e sabe que sabe,
mediante a avaliação do que se passa em si mesmo e à sua volta.
Noutras
palavras, é a capacidade que o homem tem de julgar os próprios atos, do ponto
de vista moral. Assim, se você tem ciência do amor, só pode viver amando e
nunca odiando; se você tem ciência do bem, só pode viver para o bem e nunca
para o mal; se você tem ciência da justiça, só pode atuar mediante julgamento
equilibrado e imparcial e, jamais, com iniquidade. Quando atuamos de forma
contrária, e de forma irresponsável, sentimo-nos imorais e traidores da própria
consciência, o que, para Sócrates1, é a pior coisa que pode acontecer
na vida do ser humana.
__________________
1 Filósofo grego (470-399 a.C.). Um marco na
história do pensamento humano. Com ele a filosofia deixa de ser uma reflexão
sobre a natureza e sobre o cosmo e passa a ser uma especulação em torno do
homem e de seus eternos problemas: o bem, a verdade, a justiça e o amor.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
O DESPERTAR DO POVO BRASILEIRO
O
DESCONTENTAMENTO DO POVO BRASILEIRO
Cansados pelos descasos
por parte das autoridades políticas, os brasileiros, revoltados, decidem ir às
ruas para protestar. O que parecia ser uma simples manifestação contra o
aumento das tarifas dos transportes públicos transformou-se em movimento de
proporções gigantescas contra a impunidade, a violência, corrupção e o mau uso
do dinheiro público em obras faraônicas: verdadeiro ato democrático de desejo
de transformação no país.
Essa atuação do povo
brasileiro, apesar de alguns inconvenientes, é fruto de um processo de
conscientização maior e também serve como sinal de alerta para que os políticos
comecem a repensar seus conceitos e passem a ter uma postura de homens públicos
comprometidos com os propósitos e anseios da sociedade, bem como da necessidade
de atuar com honestidade e ética, visando o bem estar de todo povo brasileiro.
Trata-se de um movimento
legítimo, democrático e que denuncia, ao mesmo tempo, a emergência de uma
geração reflexiva e consciente de seus direitos e que deve ser respeitado por
todos os envolvidos.
Toda via, faz-se
necessário lembrar que exercer o papel de cidadão com manifestos ordeiros e
pacíficos é direito de todos nós cidadãos, a violência fragiliza o movimento,
descredibiliza a ação cidadã e, o que é pior, descaracteriza a essência do
processo democrático. Somente assim conseguiremos mudar uma nação e realizar o
sonho de construirmos de fato uma sociedade justa e solidária tão almejada por
todos nós.
E viva o povo brasileiro!
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